INTRODUÇÃO
A formação dos Estados Nacionais aconteceu
no período da história europeia compreendido na Baixa Idade Média(Séculos XI a XIV), onde após a fracassada pretensão da
Igreja de Roma de unificar o continente sob sua batuta, os diferentes povos europeus
começaram a unir-se em torno de um grande líder, que fosse mais forte que os
líderes regionais para unificar as diferentes e fragmentadas regiões que
formavam a "colcha de retalhos" que era o mapa europeu da época. Com
essa nova configuração sócio-política, os reis passaram a assumir um perfil
próximo ao do absolutismo, que teve seu auge com Luís XIV (o autor da famosa frase "o Estado sou eu"), e
através desta força do monarca, subjugando os líderes locais é que o Estado
Nacional moderno como conhecemos hoje pôde surgir.
CRISE DO FEUDALISMO
O crescimento demográfico,
observado na Europa a partir do século X, modificou o modelo autossuficiente
dos feudos. Entre os séculos XI e XIII a população europeia mais que dobrou. O
aumento das populações impulsionou o crescimento das lavouras e a dinamização
das atividades comerciais. No entanto, essas transformações não foram
suficientes para suprir a demanda alimentar daquela época. Nesse período,
várias áreas florestais foram utilizadas para o aumento das regiões cultiváveis.
A discrepância entre a capacidade produtiva e a demanda de consumo retraiu as atividades comerciais e a dieta alimentar das populações se empobreceu bastante. Em condições tão adversas, o risco de epidemias se transformou em um grave fator de risco. No século XIV, a peste negra se espalhou entre as populações causando uma grande onda de mortes que ceifou, aproximadamente, um terço da Europa. No século XV, o contingente populacional europeu atingia a casa dos 35 milhões de habitantes.
A falta de mão de obra disponível reforçou a rigidez anteriormente observada nas relações entre senhores e servos. Temendo perder os seus servos, os senhores feudais criavam novas obrigações que reforçassem o vínculo dos camponeses com a terra. Além disso, o pagamento das obrigações sofreu uma notória mudança com a reintrodução de moedas na economia da época. Os senhores feudais preferiam receber parte das obrigações com moedas que, posteriormente, viessem a ser utilizadas na aquisição de mercadorias e outros gêneros agrícolas comercializados em feiras.
Os camponeses, nessa época, responderam ao aumento de suas obrigações com uma onda de violentos protestos acontecidos ao longo do século XIV. As chamadas jacqueries foram uma série de revoltas camponesas que se desenvolveram em diferentes pontos da Europa. Entre 1323 e 1328, os camponeses da região de Flandres organizaram uma grande revolta; no ano de 1358 uma nova revolta explodiu na França; e, em 1381, na Inglaterra.
Passadas as instabilidades do século XIV, o contingente populacional cresceu juntamente com a produção agrícola e as atividades comerciais. Em contrapartida, a melhoria dos índices sociais e econômicos seguiu-se de novos problemas a serem superados pelas sociedades europeias. A produção agrícola dos feudos não conseguia abastecer os centros urbanos e os centros comerciais não conseguiam escoar as mercadorias confeccionadas.
Ao mesmo tempo, o comércio vivia grandes entraves com o monopólio exercido pelos árabes e pelas cidades italianas. As rotas comerciais e feiras por eles controladas inseriam um grande número de intermediários, encarecendo o valor das mercadorias vindas do Oriente. Como se não bastassem os altos preços, a falta de moedas impedia a dinamização das atividades comerciais do período. Nesse contexto, somente a busca de novos mercados de produção e consumo poderiam amenizar tamanhas dificuldades. Foi assim que, nos séculos XV e XVI, a expansão marítimo-comercial se desenvolveu.
avanço do Estado-nação
A ideia de Estado-nação nasceu
na Europa em finais do século XVIII e inícios do século XIX. Provém do conceito
de "Estado da Razão" do Iluminismo, diferente da "Razão de
Estado" dos séculos XVI e XVII. A Razão passou a ser a força constituidora
da dinâmica do Estado-nação, principalmente ao nível da administração dos
povos. A ideia de pertença a um grupo com uma cultura, língua e história
próprias, a uma nação, foi sempre uma das marcas dos europeus nos últimos
séculos, ideal que acabariam por transportar para as suas projeções coloniais.
Há um efeito psicológico na emergência do Estado-nação, pois a pertença do
indivíduo a tal estrutura confere-lhe segurança e certeza, enquadramento e
referência civilizacional. O Estado-nação afirma-se por meio de uma ideologia,
uma estrutura jurídica, a capacidade de impor uma soberania, sobre um povo, num
dado território com fronteiras, com uma moeda própria e forças armadas próprias
também. É na sua essência conservador e tendencialmente totalitário.
O aparecimento do Estado-nação
corresponde à fase nacionalista do Ocidente e ao seu processo de
industrialização. Assim, o seu surgimento justificou investimentos tecnológicos
e com eles lucrou, fomentando as economias nacionais e gerando capacidades
militares de defesa e mesmo de ataque. Além do mais, transformou o nacionalismo
numa ideologia que não mais parou de ganhar adeptos e permitiu aspirações de
natureza económica e territorial. Marx defendeu ainda que o proletariado era
apátrida, era internacional, mas a Primeira Guerra Mundial, na sua origem como
nas suas consequências, acabou por reforçar a ideia do Estado-nação e dos
nacionalismos. Estes foram combatidos pela União Soviética, plurinacional mas
internacionalista, mas que na sua desagregação acabaria por ver irromper, no
seu antigo território, tantos Estados-nações amordaçados durante mais de
setenta anos. A União Soviética, no entanto, não era um Estado-nação, mas um
conjunto de 15 Estados-nações e mais de 100 povos por eles espalhados, muitos
nómadas e clânicos mas, com a sovietização, enquadrados dentro de limites
territoriais impostos por Moscovo.
Se nasceu entre as potências
colonizadoras no século XIX, também nesta centúria o conceito de Estado-nação
ganharia os povos da Europa de Leste, ameaçando ruir os antigos impérios
dinásticos da Europa, nomeadamente o Austro-Húngaro, em cujo seio estalou a
Primeira Guerra Mundial, graças a um estudante sérvio que lutava pela
proclamação de um Estado para a sua nação sérvia. Era a época dos nacionalismos
e da emergência das nacionalidades, que Estaline reprimiria na União Soviética
e que Hitler tentara subjugar com o nazismo, mas que acabou por sair da Europa
e conquistar outros continentes, acelerando a descolonização africana, por
exemplo. Nalguns casos, no pós-Segunda Guerra, o nacionalismo ganhou um cariz
religioso, como o Irão xiita, noutros assumiu o comunismo como bandeira
ideológica e política.
Mas na Europa, com Charles de
Gaulle e Jean Monet, por exemplo, sem se perder a ideia do Estado-nação,
criou-se, com a Comunidade Europeia, a Europa das Nações, que tem paralelo
militar e político na NATO e até nas Nações Unidas. As nacionalidades não se
diluíram, pelo contrário, como nos Balcãs, antes se agruparam na prossecução de
interesses e estratégias que só em comum em concertação poderiam superar crises
e estabelecer vias e metas para o futuro. Outros pontos do globo, a ideia de um
povo, uma língua, um território, logo uma nação, daí a necessidade de Estado, a
independência enfim, tem pulverizado e retalhado antigos grandes Estados,
gerando conflitos e escaladas de violência inusitadas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário